Como funciona a previdência privada: TUDO o que você precisa saber!

Quando se pensa em previdência privada, a primeira coisa que vem à mente da maioria das pessoas é o complemento da aposentadoria. Afinal, mais pessoas estão percebendo que a previdência social não é suficiente para garantir saúde e bem-estar aos aposentados.

Com o avanço da medicina e tratamentos precoces, as pessoas estão vivendo por mais tempo. Mais aposentados, menos trabalhadores ativos e o benefício do INSS se torna ainda mais insuficiente. As pessoas querem viajar, aproveitar o tempo com a família e aprender novos hobbies. O céu é o limite.

A previdência privada cai como uma luva neste contexto. Investir em um plano de previdência privada e fazer um bom planejamento financeiro é fundamental para aproveitar a vida quando o merecido descanso chegar.

Mas, nem só de aposentadoria vive a previdência privada. Esse investimento também funciona para objetivos de curto e médio prazo, sabia? Ele é ideal para acumular dinheiro.

Quem sabe se organizar para comprar aquele carro à vista, investir para casar sem contrair dívidas, planejar uma viagem com a galera ou poupar para o intercâmbio dos sonhos.

Tudo isso é possível ao investir na previdência privada. Não acredita? Continue a leitura que vamos falar sobre os principais planos, perfis de investimento, tabelas de tributação, resgate e muito mais.

Vamos lá!

Sumário

O que é investir em previdência privada?

A previdência privada é um tipo de investimento. O objetivo é juntar dinheiro e essa é uma forma inteligente de fazer isso.

Quem contrata um plano de previdência envia o dinheiro por meio de contribuições mensais ou esporádicos via boleto bancário ou débito automático. Esse valor é aplicado em um fundo de previdência e começa a render. Vamos explicar mais sobre esse fundo logo mais!

A previdência ajuda o investidor a criar o hábito de poupar e investir, já que o débito acontece de forma automática ou o boleto é recebido todo mês.

Como falamos no início do texto, embora a previdência seja mais utilizada como complemento da aposentadoria, também pode ser utilizada no curto e médio prazo. E o mais interessante é que há fundos de previdência para todos os tipos de investidor.

Você não precisa necessariamente ter um perfil de investimento mais conservador para contratar um plano de previdência privada. É claro, há fundos mais indicados para o perfil conservador, que costumam aplicar em investimentos de renda fixa, como títulos públicos ou crédito privado.

Mas também existem fundos de previdência voltados para perfis moderados e perfis agressivos. Os gestores desses fundos costumam fazer aplicações em renda fixa, ações e derivativos.

Além disso, para contratar um plano de previdência privada, além de conhecer o seu perfil de investimento, você precisa escolher:

  • tabela de tributação: de acordo com o seu objetivo e tempo do investimento;

  • tipos de planos de previdência: tem a ver com a forma com que você envia a declaração do imposto de renda.

  • Também vamos explicar mais sobre em breve. Agora, vamos conhecer mais sobre os planos de previdência privada. Continue a leitura!

Quais são os planos de previdência disponíveis no mercado?

Um plano de previdência pode ser aberto, também conhecido como previdência privada, ou fechado, também conhecido como fundo de pensão. A diferença está na forma de acesso e quem pode ou não participar deles.

Previdência privada aberta ou previdência individual

Como o nome sugere, a previdência privada aberta é para qualquer pessoa física que tenha interesse em começar o seu patrimônio, seja para objetivos de curto, médio ou longo prazo.

A previdência individual pode ser contratada por investidores de todos os perfis. O passo a passo funciona assim:

  1. 1. Primeiro você escolhe uma instituição financeira;
  2. 2. Defina a modalidade do plano e a tributação;
  3. 3. Escolha se o aporte será mensal ou esporádico;
  4. 4. Decida qual o fundo de investimento previdenciário ideal;
  5. 5. Pague a primeira contribuição e espere a mágica dos juros compostos acontecer.

Essa modalidade é comercializada pelas EAPC (Entidades Abertas de Previdência Complementar) e pertence a seguradoras. Essa seguradora pode fazer parte de um grupo bancário ou ser independente. Já a fiscalização e regulamentação da previdência privada aberta é realizada pela SUSEP (Superintendência de Seguros Privados).

O patrimônio alocado em fundos previdenciários tanto de previdência aberta quanto de previdência fechada ultrapassa a marca de R$2 trilhão.

É um mercado em expansão! Do ano passado para cá, a captação líquida para fundos de previdência aberta aumentou em 91,7%. Isso corresponde a um total de R$11,9 bilhões.

Previdência fechada ou fundos de pensão

Já o plano de previdência fechado ou fundo de pensão é a categoria de previdência destinada para funcionários de um determinada empresa ou para colaboradores de uma categoria profissional específica.

A Petros e Funcef, por exemplo, são fundos de pensão concedidos para colaboradores da Petrobrás e da Caixa Econômica Federal. São oferecidos como um benefício para os funcionários da empresa contratante. O objetivo é planejar uma aposentadoria mais tranquila, sem precisar depender apenas do INSS.

Em 2018, oito a cada dez brasileiros não estavam se preparando para a aposentadoria, segundo uma pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

Com a recente reforma da previdência social, esse quadro parece ter mudado. Os brasileiros estão mais preocupados em não conseguir se aposentar de forma digna, e as empresas que os empregam também.

A partir desse cenário, muitas instituições começaram a disponibilizar planos de previdência empresarial ou corporativa. Assim, ao mesmo tempo que a empresa ajuda no planejamento financeiro do seu time, também se torna mais competitiva no mercado de trabalho, atraindo mais profissionais.

Basicamente, o funcionário deposita uma porcentagem do seu salário no plano de previdência fechado. Na maioria dos casos isso é feito de forma mensal, tudo depende das regras de contratação.

Vale ressaltar que esse plano não tem nenhuma relação com a contribuição referente ao INSS.

É algo muito comum nos Estados Unidos desde a década de 70, com a 401k, a previdência empresarial americana. E provavelmente o Brasil tomará o mesmo caminho.

Mas vamos entender como isso funciona na prática!

Existem basicamente dois planos de previdência empresarial: o averbado e o instituído. Os dois são contratados pelo empregador e oferecidos aos empregados, mas com algumas diferenças. A principal delas é se a empresa vai contribuir junto com o colaborador.

Plano de previdência empresarial averbado

No plano averbado somente o colaborador é responsável por contribuir para o plano de previdência. Isso quer dizer que a empresa contratante é responsável por recolher o depósito da folha de pagamento e investir, mas não se envolve na contribuição.

Mesmo não contribuindo com o funcionário, a empresa pode assegurar benefícios diferentes dos planos individuais de previdência privada. Afinal, é ela que oferece o plano e negocia as condições.

Como o valor já é descontado na folha de pagamento, isso faz com que o funcionário poupe o seu dinheiro ao mesmo tempo que investe o seu salário de forma eficiente.

Plano de previdência empresarial instituído

No plano instituído a empresa contribui em conjunto com o funcionário. Ou seja, ela também investe no plano de previdência. A porcentagem dessa contribuição fica a critério do empregador e isso é definido no contrato.

Em ambos os casos, não fique com medo de perder seu dinheiro em caso de demissão! Independente do desligamento ser feito pela empresa, ou por solicitação do colaborador, romper o vínculo não necessariamente significa deixar de investir.

É possível pedir a portabilidade do seu valor para outro fundo de pensão ou migrar para um plano de previdência privada aberta, cortando o vínculo com qualquer tipo de empresa.

Mas tem que tomar cuidado, pois há duas regras para isso acontecer:

1. Só é permitida a portabilidade para planos PGBL.
2. O valor não pode ser resgatado, apenas revertido em um benefício de renda mensal (logo abaixo vamos ter um tópico para explicar o que é isso).

Quais as taxas que incidem na previdência privada?

Há três tipos de taxa: carregamento, administração e performance.

Taxa de carregamento

A taxa de carregamento é cobrada sobre as movimentações financeiras do plano de previdência.

O carregamento pode ser de entrada (desconto no momento das contribuições) ou de saída (desconto no momento do resgate ou portabilidade).

Ele é sempre cobrado sobre o valor da contribuição, não considerando os rendimentos.

Essa taxa é cobrada pela seguradora do plano. Atenção: muitas instituições pararam de cobrar essa taxa. O ideal é achar um plano que não tenha carregamento.

Aqui na Saks, não temos taxa de carregamento.

Taxa de administração

A taxa de administração é cobrada para remunerar a gestão de um fundo de investimento. Afinal, eles administram e aplicam o dinheiro do investidor.

Ela é um percentual anual sobre todo o valor investido, incluindo os rendimentos. É descontada diariamente, independente do quanto seu dinheiro rendeu.

A taxa varia de acordo com o tipo de investimento feito pelo fundo, pois depende da complexidade da estratégia da gestora. Fundos conservadores tendem a ter taxas de administração mais baixas. Já os fundos mais agressivos, que demandam mais dos gestores e tem uma estratégia mais complexa, podem ter taxas mais altas.

Essa taxa é cobrada pela seguradora do plano. Atenção: muitas instituições pararam de cobrar essa taxa. O ideal é achar um plano que não tenha carregamento.

Na hora de analisar um fundo de investimento, é legal observar como a taxa de administração afeta a rentabilidade. Lembrando que essa taxa é cobrada pelo fundo de investimento, e não pela seguradora, como o carregamento.

Taxa de performance

Um fundo de investimento tem um benchmark, uma taxa de referência. Ela é o mínimo que a gestora (quem administra o fundo) espera que um fundo renda.

Quando o fundo ultrapassa essa marca, a taxa de performance é cobrada.

Você ganhou mais do que esperava, certo? Sendo assim, o gestor recebe uma espécie de recompensa pelo trabalho bem feito.

Como funcionam as tabelas de tributação na previdência privada?

Os planos de previdência podem ser contratados com a tabela de tributação regressiva definitiva ou a tabela de tributação progressiva compensável.

Os dois modelos possuem características diferentes. É importante dizer que não existe uma melhor que a outra e sim aquela que se adequa melhor ao seu perfil.

Nesse caso, o que se deve levar em conta não é o tipo de investimento ou se ele é arriscado ou não. É importante considerar quanto tempo o investidor pretende deixar o valor aplicado e também a forma como faz a sua declaração de imposto de renda.

Vamos te mostrar agora como funciona cada uma das tabelas.

Regressiva Definitiva

Permite que os investidores paguem alíquotas (percentual de imposto de renda cobrado) menores de acordo com o tempo do investimento.

A tabela regressiva dos planos de previdência começa em 35% e diminui 5% a cada dois anos até alcançar 10%.

Ou seja, ela deve ser utilizada pelos investidores que estão pensando no longo prazo. Para ser resgatada com a menor alíquota possível, cada contribuição realizada precisa completar dez anos.

Progressiva Compensável

No momento de resgatar um plano de previdência na tabela progressiva, a alíquota cobrada na fonte é de 15%. Porém, o modelo permite que essa alíquota seja compensada, para mais ou para menos, no momento de realizar a declaração de Imposto de Renda.

Não entendeu? Vamos explicar.

Quando o resgate do dinheiro ocorrer, o que for tributável irá compor o total dos rendimentos tributáveis da declaração de IR deste investidor. Da mesma forma que o salário, por exemplo. Esses rendimentos impactam o valor da alíquota efetiva; quanto o contribuinte realmente deve.

Ou seja, a tabela progressiva funciona melhor para quem quer investir por períodos de tempo menores, especialmente quando o plano é um VGBL.

Um VGBL progressivo resgatado em dois anos, por exemplo, terá uma cobrança de IR de 15% no momento do resgate.

Como o prazo é curto, a rentabilidade não é tão expressiva o valor do resgate não afeta muito a alíquota efetiva na declaração do IR do investidor. E caso essa alíquota seja menor que 15%, é possível que o governo restitua parte do valor cobrado na fonte.

Também é legal comentar sobre o caso dos investidores sem rendimentos tributáveis (isentos de IR), que possuem uma alíquota efetiva zerada de imposto de renda. Como nada do que ganham é tributável, não devem nada para o Leão.

Agora imagina que um investidor não possui rendimentos tributáveis, resgata um plano de previdência VGBL na tabela progressiva e paga 15% de IR na fonte.

Esse contribuinte não tem outros rendimentos tributáveis. Considerando que a rentabilidade do VGBL naquele período não foi maior que a faixa de isenção do IR , esse investidor vai dever menos do que pagou ao longo do ano.

Como a sua dívida na verdade é zero, todo o valor cobrado na fonte (a tributação da tabela progressiva) é devolvido como restituição.

E esta é uma das maiores vantagens da tabela progressiva dos planos de previdência! Investir sem pagar imposto de renda.

Quais são os planos de previdência privada?

A previdência tem dois tipos de plano: VGBL e PGBL.

Para fazer uma escolha você tem que analisar: quais são os seus objetivos, por quanto tempo vai deixar o dinheiro investido e qual o tipo de declaração enviada para a Receita Federal.

Plano VGBL

Esse plano é indicado para quem não tem muitos rendimentos tributáveis e entrega a declaração do imposto de renda no modelo simples.

Com o VGBL você pode aproveitar todas as vantagens dos planos de previdência para acumular dinheiro.

Para casos de curto e médio prazo, a tabela progressiva pode ajudar mais. Caso o investidor queira guardar por um prazo maior, mais de 10 anos, é legal usar a tabela regressiva.

Ao resgatar o dinheiro investido em um VGBL, o IR incide apenas sobre quanto o dinheiro rendeu.

Plano PGBL

Já o PGBL é indicado a um perfil mais específico de investidores, pois funciona como uma dedução legal na hora de fazer a declaração de imposto de renda.

Os valores investidos em PGBL em um ano, respeitando o limite máximo de 12% da renda bruta anual, são abatidos na declaração. O resultado é um valor menor de imposto a pagar.

Essa manobra ajuda o investidor a pagar menos IR em alguns casos e até a receber restituição em outros, mas isso varia conforme a declaração de cada ano.

Por esse motivo, apenas investidores que contam com grandes volumes de rendimentos tributáveis e, consequentemente, pagam mais IR, devem contratar um PGBL. Esses contribuintes devem entregar a declaração no modelo completo.

Vamos dar um exemplo para você entender:

Seu Alberto é um engenheiro e recebe um salário. Ele tem rendimentos tributáveis no valor de R$200.000 ao ano e entrega a declaração completa de imposto de renda.

Alberto usa despesas como plano de saúde, gastos com educação e seus dois filhos como dependentes na declaração de imposto de renda como deduções legais.

Além dessas opções, ele também pode contribuir com 12% de R$200.000 para fins de abatimento de imposto, ou seja, R$24.000 reais. Isso vai fazer a sua base de cálculo ser menor e consequentemente o imposto a se pagar também.

Um rendimento é tributável quando incide sobre ele o imposto de renda no momento da declaração, como salários, pró-labores e aluguéis. O PGBL também possui uma característica específica quanto a forma que é tributado no momento do resgate. Neste modelo, a tributação incide sobre o total do saque (valor investido + rendimentos).

Lembrando que nos investimentos convencionais e no VGBL, a tributação incide sobre a rentabilidade acumulada.

A ideia principal de um PGBL é ajudar o investidor a deixar de pagar a alíquota de 27,5% sobre o valor aportado todos os anos. Em vez de pagar esse valor de IR anualmente, desde que respeite o longo prazo, no momento do resgate, pagar o imposto devido com uma alíquota de 10%.

Qual plano de previdência é o melhor: VGBL ou PGBL?

Os planos de previdência privada são parte fundamental de qualquer planejamento financeiro e todo investidor precisa ter um.

Os dois modelos de previdência privada, VGBL e PGBL, existem para que o investimento se adapte a diferentes perfis e objetivos. Por isso, não existe um melhor do que o outro. Tudo depende do propósito da aplicação.

O plano VGBL, por exemplo, é o mais indicado para quem declara o IR pelo formulário simplificado ou até mesmo para quem está isento. Ele também é recomendado para objetivos de curto a médio prazo, especialmente quando eles forem contratados com a tabela de tributação progressiva.

O VGBL com a tabela de tributação regressiva atende bem aos investidores que pretendem guardar dinheiro a longo prazo.

O PGBL, por outro lado, é um plano de previdência privada indicado para quem declara o IR usando o formulário completo, isso porque o plano pode ser usado como dedução legal na declaração, o que ajuda o investidor a pagar menos IR ao longo do tempo.

Devido ao diferimento oferecido pelo PGBL, que precisa que o dinheiro seja aplicado por períodos mais longos de tempo, essa modalidade não atende, de forma geral, objetivos de curto e médio prazo.

É preciso tomar cuidado com o tempo que você vai deixar o dinheiro aplicado, pois se resgatar antes de um determinado período, pode pagar mais imposto do que pagaria se não tivesse investido.

Aqui vai outro exemplo pra você entender:

Cláudia contribui há cerca de 1 ano em um plano PGBL regressivo porque se encaixa perfeitamente com a situação dela. Sua ideia inicial era juntar dinheiro para a aposentadoria, mas houve um imprevisto e ela precisou resgatar tudo o que tinha aplicado.

Agora ela vai ter que pagar mais imposto de renda do que se não tivesse investido o dinheiro. Mas por quê?

A tabela de tributação regressiva na previdência privada, começa em 35% e vai diminuindo 5% a cada 2 anos investidos.

Resgatando o dinheiro em um ano, o valor aplicado deixou de ser tributado em 27,5% para incidir a alíquota de 35%, o que não valeu a pena.

Porém, ter um PGBL de longo prazo não impede um investidor de ter um VGBL para outras finalidades.

Por isso, como falamos, não há um plano melhor que o outro, e sim o que se adequa melhor a cada situação.

Mas afinal, vale a pena investir em previdência privada?

Vantagens da previdência privada

As principais vantagens da previdência privada estão nas condições fiscais favoráveis que esse produto oferece. Vamos falar sobre eles agora!

Nos planos de previdência não há a incidência do come-cotas

O come-cotas é a antecipação de imposto de renda feita em maio e novembro nos fundos de investimento convencionais.

Na previdência, isso não existe. Dessa forma, o efeito dos juros compostos durante os anos aumenta ainda mais.

Nos planos de previdência os investidores podem pagar menos imposto de renda no resgate

Mantendo o dinheiro aplicado durante um prazo longo e utilizando a tabela de tributação regressiva,é possível alcançar a menor alíquota (percentual cobrado) de imposto de renda: apenas 10%. Nos investimentos convencionais a menor alíquota é de 15%.

Na tabela progressiva, em alguns casos, você consegue deixar de pagar o imposto de renda e ficar isento. Vamos te dar exemplo de como isso pode acontecer:

Júlia é autônoma e faz trabalhos como designer gráfica. Ela tem vários clientes e recebe seu dinheiro através da sua pessoa jurídica. O imposto de renda que ela deve ao governo é a sua taxa fixa do MEI.

Ela começou a investir cerca de 300 reais por mês em um plano VGBL progressivo em janeiro, pois quer viajar até o final do ano.

Como ela recebe na PJ, ela é zerada de rendimentos tributáveis na sua declaração de imposto de renda da pessoa física. O único rendimento tributável que ela tem é justamente o rendimento do seu plano VGBL progressivo (que entra na declaração de imposto de renda da mesma forma que um salário).

Considerando que o rendimento que ela tiver durante esse período de um ano ficará abaixo do limite de isenção de imposto de renda, o que acontece na prática, é que no resgate ela será tributada em 15% na fonte com a tabela progressiva. Porém, como na verdade a sua dívida é zero, esse imposto foi cobrado “indevidamente” e o governo vai devolver o dinheiro na restituição do IR.

Ou seja, ela conseguirá zerar o imposto de renda na aplicação.

Acesso a excelentes fundos de investimento

Existem vários fundos de previdência, com diferentes estratégias de investimento.

Além disso, normalmente os fundos convencionais pedem valores altos para começar a investir. Na Saks, você pode começar com contribuições mensais a partir de R$200.

Outra coisa legal é que, quando alguém contrata uma previdência privada, fica com acesso ininterrupto ao fundo escolhido. Ele nunca fecha para novos aportes. O fundo pode até fechar para novas contratações, mas quando já faz parte do seu portfólio, permanece sempre aberto para enviar mais dinheiro.

Os beneficiários

Os beneficiários são uma característica que difere a previdência dos demais investimentos. Normalmente, na falta do investidor, todo o patrimônio precisa passar por um inventário para só então ser distribuído para os herdeiros legais.

Um processo de inventário além de burocrático também custa caro, com a participação de advogados, custos de cartório e o ITCMD, o imposto da herança. Esse imposto pode chegar até 8%, dependendo do estado.

Já o dinheiro acumulado em previdência privada pode ser direcionado aos beneficiários sem precisar passar por esse processo, o que faz a transferência ser mais rápida e barata.

Só é cobrado o imposto de renda, que varia de acordo com o tipo do plano e a tabela de tributação contratada.

A portabilidade da previdência

A portabilidade de previdência privada é quando o investidor migra seu plano para outra instituição ou fundo de investimento.

A vantagem é que você não precisa pagar o IR devido, já que não está resgatando nada. Isso não acontece nos fundos de investimentos convencionais. É necessário resgatar o dinheiro, pagar o imposto e então reaplicar o valor.

Além disso, no caso da tabela de tributação regressiva, você perde o tempo de aplicação.

Com a portabilidade, você consegue trocar de instituição caso esteja insatisfeito e ainda fazer a manutenção do seu investimento.

Essas cinco características valem tanto para os planos VGBL como para os PGBL. Viu como utilizar a previdência privada vale a pena? Seja no curto, médio ou longo prazo.

Desvantagens da previdência privada

Fique de olho nas taxas

A previdência privada é a melhor forma de acumular dinheiro e investir para objetivos de curto, médio e longo prazo, mas você precisa prestar atenção em algumas coisas. Se não escolher bem, pode acabar perdendo as vantagens do investimento.

Olhe com cuidado todas as taxas do plano que for contratar, pois elas podem ser abusivas. Taxas de administração altas e a existência da taxa de carregamento no longo prazo vão te prejudicar.

Se você pensa em contratar um plano de previdência, escolha uma instituição de qualidade. Uma dica: se você pensa em usar a previdência como dedução legal, contrate um plano PGBL e não um VGBL.

Liquidez

Você também precisa prestar atenção na liquidez! Não é recomendado que a previdência seja usada como reserva de emergência com resgate rápido. O prazo de resgate pode chegar até 15 dias. Por isso, utilize a previdência com planejamento, para não ter surpresas.

Previdência não conta com FGC

O produto não tem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) da mesma forma que outros fundos de investimentos

E quais são os riscos dos planos Previdência privada?

Essa dúvida é comum, afinal qual a segurança que um plano de previdência oferece? Especialmente quando se sabe que o investimento não é protegido pelo FGC.

O risco de um investimento em previdência privada está mais relacionado ao desempenho do fundo de investimento previdenciário.

Os fundos de previdência podem ter diferentes estratégias financeiras com graus de riscos variados, desde os mais conservadores até perfis mais arrojados.

Nesse momento é importante avaliar qual o seu perfil de investidor e seguir com o planejamento. E é claro, considere a qualidade da gestão do fundo. O seu dinheiro rende de acordo com o resultado entregue, seja ele positivo ou negativo.

Qual o rendimento da Previdência privada?

O rendimento de um plano de previdência privada está totalmente ligado ao desempenho do fundo de investimento. Já o resultado final depende também das taxas que são cobradas e da forma que o IR vai incidir.

A taxa de carregamento impacta diretamente o resultado de um plano de previdência. Vamos lá, no carregamento de entrada a seguradora pega parte do dinheiro antes mesmo que ele comece a render. Já no carregamento de saída, uma parte do valor que o investidor receberia é debitado.

Já o fundo de investimento previdenciário é o veículo de investimento da previdência e é através dele que o dinheiro rende.

O desempenho do fundo de investimentos depende da estratégia utilizada pelo gestor, seja mais conservadora ou mais arrojada e também da taxa de administração que é cobrada.

Caso um fundo de investimentos previdenciário não esteja entregando um bom resultado, ou caso a estratégia financeira deixe de fazer sentido, é possível realizar a portabilidade.

O IR é um outro ponto que pode impactar o resultado, já que da mesma forma que a previdência privada possui as menores alíquotas de IR, também possui as maiores.

A escolha de um plano de previdência precisa ser pensada de acordo com o tempo da aplicação, para pegar a tabela de tributação que faça mais sentido com o objetivo do investimento.

A tabela progressiva, por exemplo, faz mais sentido, de forma geral, para objetivos de curto e médio prazo.

Já a tabela regressiva, faz mais sentido para quem pretende guardar dinheiro por períodos maiores de tempo.

Quer simular um plano de previdência privada?

Você consegue ter uma ideia do resultado da previdência através do simulador de previdência privada.

Os simuladores são basicamente desenvolvidos com uma fórmula de juros compostos e uma taxa diferente para cada perfil de investidor.

Apesar de serem relativamente comuns, é importante destacar que são apenas estimativas e que pode acontecer um imprevisto no meio do caminho.

Os principais distribuidores de previdência privada do Brasil possuem seus próprios simuladores:

As seguradoras independentes também oferecem simuladores de previdência privada. Confira:

Como funciona o resgate da previdência privada?

Ao investir em uma previdência privada, o investidor encontra duas fases: acumulação e utilização.

A fase de acumulação é o período em que o investidor está criando o hábito de poupar e investir. Todo mês envia dinheiro para seu plano de previdência, seja ele PGBL ou VGBL.

Já a fase de utilização é quando esse mesmo investidor vai usufruir do dinheiro que acumulou. Ou seja, faz o resgate do valor investido. Isso acontece quando o contribuinte decide se aposentar, ou atinge o capital necessário para realizar seu objetivo.

Esse planejamento é muito importante, pois pode evitar imprevistos desagradáveis. Além de tomar cuidado com a escolha do tipo de plano e a tabela de tributação, é importante se atentar aos prazos de carência e resgate.

Logo após a contratação, o plano entra em um período de carência para resgate ou portabilidade, que normalmente é de 60 dias. Esse prazo pode variar e tudo depende dos termos definidos no contrato.

Além de realizar o resgate parcial ou total, o investidor também tem a opção de converter o dinheiro acumulado em um benefício de renda. Ou seja, ele entrega o valor para a seguradora e, em troca, todo mês recebe um pagamento mensal, uma espécie de salário.

As opções de conversão do dinheiro em renda são:

Renda mensal vitalícia

Como o próprio nome sugere, nesse tipo de resgate a pessoa recebe um valor mensal pelo resto de sua vida. O cálculo é feito pela seguradora e considera a expectativa de vida do investidor.

Caso ele viva mais do que a expectativa de vida calculada, continua recebendo o dinheiro mesmo assim.

Renda mensal vitalícia reversível

Funciona da mesma forma que o anterior. A diferença é que após o falecimento do titular do plano, o valor é pago para o cônjuge, que também recebe a renda até o final de sua vida

Se o cônjuge também falecer, a renda mensal é dividida entre os herdeiros legais, que terão o benefício até atingir a maioridade.

Renda mensal vitalícia reversível ao beneficiário indicado

O contribuinte também recebe uma renda mensal até o falecimento. A diferença é que o investidor define um beneficiário para receber o valor depois do seu falecimento.

Se o beneficiário escolhido falecer antes do titular do plano, a renda não é revertida para ninguém.

Renda mensal vitalícia com prazo mínimo garantido

Nessa renda mensal vitalícia é possível definir um prazo mínimo na contratação.

Isso quer dizer que se o titular do plano falecer antes do prazo estabelecido, o beneficiário vai receber o dinheiro até o prazo acabar. Se o titular morrer após o período acordado, o benefício é cancelado.

Renda mensal temporária

Nesse tipo de renda, o investidor recebe um valor mensal durante um período pré-estabelecido.

Caso faleça antes disso, o benefício não é repassado e o plano é cancelado.

Renda mensal por prazo certo

Também conhecida como renda mensal por prazo determinado, a seguradora faz pagamentos mensais ao investidor até uma data estabelecida. Em caso de falecimento do mesmo, o valor é repassado ao beneficiário até acabar a reserva.

Esse valor é calculado usando as tábuas atuariais, que estimam a expectativa de vida dos investidores. O valor pode ser corrigido durante os anos e o índice mais utilizado hoje é o IPCA + excedente financeiro.

Como funciona a Portabilidade da Previdência privada?

A portabilidade da previdência privada é uma das principais vantagens desse investimento. Vamos te explicar o porquê.

A portabilidade da previdência é quando você migra o saldo acumulado para outro plano ou para outra instituição financeira. Essa migração permite que o investidor busque melhores condições ou até mude sua estratégia de investimento.

Quando um plano possui taxa de carregamento, por exemplo, é possível solicitar a portabilidade para outro que não tenha essa cobrança.

Vamos supor outro caso. Você está em um fundo de previdência, mas ele não está rendendo bem. É possível mudar a estratégia do investimento e fazer a portabilidade para outro fundo.

Esse ponto é bem importante. Com a portabilidade você faz uma uma manutenção mais eficiente da carteira de investimentos. Uma estratégia financeira boa agora, pode ser ruim daqui alguns anos. Na previdência, você faz essa manutenção sem pagar imposto de renda, já que não precisa resgatar o dinheiro.

Isso não acontece em fundos convencionais ou em outros investimentos. Em um fundo convencional, para mudar de estratégia, você precisa fazer o resgate, pagar o IR e só então reaplicar o valor.

Na previdência, você faz essa troca sem incidência do IR e mantém o dinheiro aplicado por mais tempo, aumentando o efeito positivo dos juros compostos ao longo dos anos.

Mas atenção: a portabilidade da previdência privada precisa atender a alguns requisitos. Só é possível migrar entre planos iguais, de VGBL para VGBL e de PGBL para PGBL.

A tabela de tributação só pode ser alterada se o pedido de mudança for de progressivo para regressivo.

E por fim, portabilidade externa (quando o dinheiro muda de instituição) só pode acontecer se o primeiro plano não estiver no período de carência.

O que é um fundo de previdência privada?

O fundo de previdência privada é o veículo de investimento dos planos de previdência. É com eles que o dinheiro rende.

Para começar, você precisa saber o que é um fundo de investimento: é quando vários investidores se juntam para realizar uma aplicação financeira. A gestão do fundo, um grupo de especialistas financeiros, administra e aplica o dinheiro dos investidores.

Os fundos de investimento previdenciários são muito similares aos fundos convencionais, com exceção de algumas regras impostas pela Susep, a superintendência de seguros privados, que regulamenta a previdência privada.

Além de, é claro, uma grande diferença: os fundos convencionais não têm algumas das vantagens do plano de previdência.

O dinheiro é enviado pelo investidor ao plano de previdência, é recebido pela seguradora e aplicado no fundo logo em seguida. Uma vez que o dinheiro está no fundo, cabe ao gestor dar o direcionamento ao dinheiro de acordo com a estratégia que o fundo escolheu traçar.

Os fundos de renda fixa são indicados para os perfis conservadores, enquanto os multimercados podem ser ideais para perfis moderados e agressivos.

Como falamos lá em cima, os fundos de investimentos cobram uma taxa de administração pelo trabalho de gestão, a equipe que está cuidando do dinheiro investido.

A taxa de administração não é necessariamente ruim, mas ela tem que ser justa. Precisa estar de acordo com a estratégia que é adotada pelo fundo.

Exemplo: um fundo super conservador que aplica todo o dinheiro em títulos públicos não precisa ter uma taxa de administração alta. Essa estratégia não dá tanto trabalho e a taxa não pode comprometer a rentabilidade.

Já um fundo multimercado que trabalha com estratégias mais complexas de investimentos, como ações, demandam muito mais atenção da gestão. Por esse motivo, faz sentido que a taxa seja mais alta para remunerar o trabalho extra. Mas do mesmo jeito é importante verificar se essa taxa não está comprometendo a rentabilidade, viu?

O que faz uma gestora de fundos de previdência privada?

Uma gestora é uma equipe de pessoas especializadas com diferentes certificações do mercado financeiro. São elas que aplicam o dinheiro dos investidores de um fundo de previdência privada.

Uma gestora pode ter diversos fundos em seu portfólio, do mais conservador ao mais agressivo. Mas ela sempre precisa respeitar os limites de cada produto, que são definidos na resolução n° 4.444 do Banco Central.

O objetivo da gestora é fazer uma estratégia de investimentos inteligente e entregar o melhor resultado possível para o investidor.

O mercado de previdência privada é dominado pelas maiores instituições financeiras do país. Apesar disso, o número de gestoras independentes aumentou nos últimos anos.

O time que compõe a gestora é remunerado a partir da taxa de administração, um valor anual que é descontado diariamente. Vale a pena ressaltar que quanto mais agressiva for a estratégia do fundo, maior a taxa costuma ser.

Tome cuidado para não pagar taxas abusivas, faça a comparação com outros fundos e veja se a cobrança afeta muito o seu rendimento.

Quais os mitos da previdência privada?

Existem alguns tabus no mercado de investimento quando se fala de previdência privada. Isso porque, por muito tempo, os bancos tradicionais ofereceram opções ruins de previdência, com taxas altas e rentabilidades baixas.

Vamos esclarecer alguns pontos que costumam ser as principais objeções dos investidores:

  • 1. A previdência não rende bem

    • A rentabilidade de um plano de previdência depende do fundo previdenciário escolhido. Não é comum encontrar boas oportunidades de investimentos nos bancos, e com os fundos de investimentos previdenciários é a mesma coisa.
    • Os planos de previdência contam com fundos de todo tipo, como crédito privado e multimercado. E da mesma forma que em outros investimentos, precisa ser escolhido de acordo com o perfil do investidor.
  • 2. A previdência só serve para o longo prazo

    • O produto foi realmente pensado para investimentos de longo prazo, mas isso não é uma regra.
    • A previdência privada, independente de ser usada para a aposentadoria ou não, é uma alternativa de acumulação de dinheiro. Um investimento que pode ser resgatado a qualquer momento. Ou seja, não obrigatoriamente é usado para objetivos de longo prazo.
    • Mas o investidor precisa estar atento ao prazo de carência de contratação ou de movimentação de saída. Essa carência costuma ser de 60 dias.
  • 3. Previdência tem taxa de carregamento:

    • A taxa de fato existe, mas é uma opção da instituição cobrar ela ou não. O carregamento pode ser cobrado de duas formas, na entrada ou na saída:
      • A taxa de carregamento de entrada é um desconto percentual aplicado nas contribuições mensais ou esporádicas feitas no plano.
      • No carregamento de saída a cobrança é feita no resgate ou portabilidade.
    • Essas taxas fazem parte de uma série de medidas dos bancos tradicionais, que acabaram queimando a reputação da previdência no mercado. A notícia boa é que não é mais comum encontrar planos com esse tipo de cobrança. Caso você encontre algum por aí, fuja!

Principais dúvidas em relação à previdência privada?

Quando investir em previdência privada?

Não existe hora certa para começar a investir, o ideal é que você comece seu planejamento o mais cedo possível. Tudo vai depender do seu objetivo, quando você quer alcançá-lo e de quanto consegue poupar.

A previdência privada serve para qualquer tipo de objetivo: curto, médio e longo prazo. Se o seu objetivo estiver mais distante, como a aposentadoria, quanto antes você começar, melhor.

Como declarar a Previdência privada no Imposto de Renda?

Os planos de previdência privada precisam ser declarados de formas diferentes. Isso dependendo do tipo de plano escolhido: VGBL ou PGBL.

No caso do VGBL, o valor investido é entendido como parte do patrimônio do investidor e precisa ser declarado na aba de bens e direitos, da mesma forma que os outros investimentos.

O CNPJ da seguradora e o valor das contribuições efetuadas também devem ser informados. Já a rentabilidade acumulada não precisa ser declarada.

O rendimento de um plano VGBL só precisa ser considerado quando o investidor faz um resgate, recebe benefício de renda ou ocorre a transferência para um beneficiário.

Já o PGBL, não entra na conta do patrimônio do investidor, pois na DIRPF (Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física) o plano é considerado como um gasto.

Apenas os valores pagos no ano calendário em questão devem entrar na declaração, na aba de pagamentos efetuados.

O valor investido em um PGBL é usado como dedução legal na hora de calcular o IR, com limite máximo de 12% do total de rendimentos tributáveis. O saldo declarado em um ano anterior não precisa ser mencionado em declarações futuras.

O que acontece com a Previdência privada em caso de morte?

Caso o titular do plano venha a falecer durante o período de acumulação ー quando o patrimônio está aplicado, rendendo, e ainda é possível enviar mais dinheiro, o valor acumulado é enviado aos beneficiários do plano na proporção estabelecida.

Esse dinheiro chega aos beneficiários sem precisar passar pelo processo de inventário e sem a incidência do ITCMD. É cobrado sobre o valor apenas o IR devido, que varia de acordo com o tipo do plano e a tabela de tributação contratada.

Caso no plano não conste nenhum beneficiário, o valor será destinado aos herdeiros legais do titular. Da mesma forma, o valor não passa pelo inventário e nem pela cobrança do ITCMD.

Caso o titular faleça durante a fase de pagamento de renda, o destino do benefício vai depender da modalidade de renda contratada. Ou seja, se ela prevê a continuação do pagamento aos beneficiários ou não.

Previdência privada para não residente no Brasil, é possível?

Sim, da mesma forma que outros tipos de investimentos, a ressalva está apenas na forma que o IR vai incidir no momento do resgate.

Para não residentes, o IR é fixo em 25%, independente do tempo da aplicação e sem diferenciar a tabela progressiva ou regressiva.

Caso o titular do plano retorne sua residência para o Brasil, as condições da tabela contratada voltam a valer.

O que é um excedente financeiro na previdência privada?

Para começar, é importante saber que o excedente financeiro está em todas as propostas de plano de previdência, mas só é aplicado de fato quando o plano é convertido em pagamento de renda.

Quando você escolhe esse tipo de benefício, dá todo o dinheiro que acumulou para a seguradora. Em troca, recebe aquele pagamento mensal.

É claro se, vamos supor, você optar pelo benefício e passar a ganhar 10 mil por mês, em alguns anos aquele valor não vai valer a mesma coisa. Por isso, todo ano é feito um ajuste baseado no IPCA (inflação oficial do governo).

Justo, né?

Hm… Mas a seguradora também está tendo um lucro, porque ela pega todo o dinheiro que você acumulou e faz ele render. Não seria legal você não se beneficiar disso. Por isso o excedente financeiro existe.

Além do valor do benefício ser atualizado pelo IPCA, se o que a seguradora ganhou investindo o seu dinheiro superar a inflação, você recebe um percentual dessa diferença.

Em poucas palavras, o excedente financeiro é um percentual da diferença entre o rendimento garantido (IPCA) do plano e a rentabilidade que realmente foi obtida.

Previdência privada ou Tesouro direto?

Esses dois investimentos possuem características bem diferentes.

A previdência privada é ideal para quem pretende juntar dinheiro e investir com qualidade. A rentabilidade de um plano de previdência vai depender do fundo de investimento previdenciário contratado, da estratégia e também da qualidade da gestão.

O tesouro direto, por outro lado, independente de qual título seja, é uma aplicação em renda fixa. Dependendo do tipo de título de tesouro direto, ele pode servir como reserva de emergência, devido ao prazo de resgate e segurança.

Quando comparamos a tributação que incide sobre esses investimentos, a menor alíquota do tesouro direto é de 15% depois de dois anos. Já na previdência privada é possível alcançar a alíquota de até 10% na tabela regressiva.

Previdência privada ou Poupança?

No quesito rentabilidade, a previdência privada é muito mais vantajosa do que a poupança.

Mesmo que a rentabilidade da previdência privada dependa do fundo de investimento contratado, é comum encontrar até fundos de renda fixa, conservadores, que entregam mais retorno que a poupança.

Sem contar nos fundos que trabalham com outras estratégias, como as moderadas e agressivas, por exemplo.

Um ponto de destaque da poupança é a facilidade que ela oferece para resgatar o dinheiro, o que pode chamar a atenção como uma opção para a reserva de emergência, mas ainda assim, existem opções melhores.

Previdência privada ou CDB

Os CDBs são títulos de renda fixa emitidos por bancos. Eles podem apresentar diferentes taxas e prazos de liquidação.

No caso de um ativo de liquidez diária, o CDB pode ser uma boa opção para a reserva de emergência.

Os planos de previdência privada, por outro lado, são mais interessantes quando se pensa em acumular dinheiro ao longo do tempo.

A tributação dos planos de previdência privada também é mais interessante do que a do CDB quando falamos de aplicações a longo prazo. Isso porque na previdência privada, com a tabela regressiva, é possível alcançar a alíquota de 10%, enquanto em títulos de renda fixa como um CDB, a menor alíquota é de 15%.

Previdência privada ou LCI/LCA

Uma grande vantagem das LCIs e LCAs é a isenção de imposto de renda, mas no geral essas são boas opções para investimentos de curto e médio prazo e a rentabilidade vai depender da taxa contratada.

Para acumulação de patrimônio através de contribuições mensais, por exemplo, o plano de previdência faz mais sentido já que permite contribuições programadas ou esporádicas.

Além disso, a rentabilidade da previdência privada depende do fundo escolhido e as estratégias de investimentos podem variar, desde as mais conservadoras até as mais agressivas.

Previdência privada ou CRI e CRA

Os CRIs e CRAs são títulos de renda fixa emitidos por securitizadoras e, por investirem no setor imobiliário e agronegócio, são incentivados pelo governo. Ou seja, isentos de imposto de renda.

Seu rendimento vai depender da taxa contratada e normalmente o valor de entrada em um título desse porte é alto. Tem vencimentos de curto e médio prazo, mas caso você precise do dinheiro antes disso, pode perder parte do valor investido.

Muitos dos fundos de previdência em renda fixa investem nesses títulos, então você vai estar investindo indiretamente neles. E com a previdência privada, você pode investir o seu dinheiro para o curto, médio e longo prazo. Ah, e se precisar do valor investido, pode resgatar a hora que quiser, respeitando os períodos de carência e resgate.

Dependendo da sua situação na declaração de imposto de renda, pode conseguir essa mesma isenção de imposto de renda, com um VGBL progressivo, por exemplo.

Previdência privada é seguro de vida?

Sim, para fins técnicos a previdência privada é classificada como um seguro de vida por sobrevivência. Ao contratar uma previdência privada, o investidor/segurado pode optar por receber uma renda mensal vitalícia ou temporária, ou ainda, no caso de falecimento do titular, os beneficiários recebem o valor sem precisar passar por um inventário.

Previdência privada é aplicação financeira?

Sim, a previdência privada possui características tanto de investimento financeiro como de seguro. O valor destinado a um plano de previdência privada é aplicado em um fundo de investimentos previdenciário, esse é o veículo de investimento da previdência privada e é o que faz o dinheiro render.

O fundo de investimento previdenciário é diferente de um fundo convencional porque precisa estar enquadrado nos parâmetros da Susep, a superintendência de seguros privados. Além de claro, incluir outras vantagens do plano de previdência.

A previdência privada tem que ser declarada no IR?

Sim, os planos de previdência privada precisam estar declarados, mas a atenção está na forma como cada tipo de plano, o VGBL e o PGBL, são mencionados.

VGBL: compõe o patrimônio do investidor e é inserido na aba de bens e direitos, o plano e o CNPJ precisam ser mencionados com o valor dos aportes feitos, a rentabilidade acumulada não precisa ser declarada.

A rentabilidade dos planos de previdência privada VGBL só são considerados quando há o resgate total ou parcial dos valores, ou ainda quando o plano é convertido em renda ou passado aos beneficiários.

PGBL: este plano, por outro lado, não compõe o patrimônio do investidor já que é visto como um gasto na declaração. Deve ser mencionado da DIRPF apenas os valores depositados naquele ano calendário. Isso deve acontecer na aba de pagamentos efetuados.

O valor declarado em PGBL será usado como dedução legal na hora de formar a base de cálculo do IR, até o limite de 12% do total de rendimentos tributáveis. Qualquer valor excedente a 12%, não será considerado para abatimentos.

Os valores depositados em um PGBL em anos anteriores ao da declaração em questão não precisam ser mencionados em nenhum momento da declaração de IR.

Previdência privada: quando posso resgatar?

O resgate de previdência privada pode ser feito a qualquer momento desde que o plano esteja fora do período de carência.

Funciona assim, ao contratar um novo plano de previdência, o investimento entra em carência inicial de 60 dias (o prazo pode variar). Depois desse período, o plano pode ser resgatado ou portado para outra instituição.

Caso ocorra um resgate ou portabilidade parcial, ele volta a entrar em carência novamente.

Como fazer a previdência privada como aporte único?

Ao contratar um novo plano de previdência privada, é possível solicitar apenas uma contribuição inicial e manter as contribuições mensais zeradas.

O valor mínimo de aporte inicial depende de cada seguradora e, em geral, é feito por boleto.

E aí, já sabe TUDO sobre previdência privada? Se ficou alguma dúvida, não hesite em entrar em contato com nossa equipe! Estamos sempre à disposição para atender você.